Me senti revoltado’, diz pai de Lindemberg sobre o crime
O pai mora na Paraíba e perdeu contato com o filho há anos.
Rapaz manteve ex-namorada refém por 100 horas em Santo André.
O pai de Lindemberg Alves, de 22 anos, José Luciano, que mora na Paraíba e perdeu o contato com o filho quando ele ainda era criança, disse ter se sentido revoltado com a atitude do rapaz. “Eu me senti revoltado, isso não é uma coisa que ninguém faça. Um cara novo que poderia procurar outro caminho, estudar. Não é coisa para ser humano não. É uma coisa muito triste”, afirmou.
Alves manteve a ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, refém durante 100 horas na casa da família dela em Santo André, no ABC, em São Paulo. Além da garota, uma amiga dela, Nayara Silva, de 15 anos, também ficou em poder do seqüestrador. Na sexta-feira (17), os dias de cativeiro acabaram de forma trágica. Eloá foi atingida com um tiro na cabeça e teve morte cerebral diagnosticada no sábado (18) e Nayara foi ferida com um tiro na boca, mas passa bem. A garota está internada e deve ter alta na quarta-feira (22).
O corpo de Eloá será enterrado nesta terça-feira (21) às 9h no Cemitério de Santo André. A Polícia Militar (PM), a Guarda Municipal e a administração do Cemitério Jardim Santo André, em Santo André, no ABC, estimam que cerca de 10 mil pessoas devem acompanhar a cerimônia de sepultamento de Eloá.
Por conta dessa previsão, Altimar Augusto Fernandes, administrador e proprietário do cemitério, traçou com as duas corporações estratégia especial de segurança, com reforço do contingente policial.
A PM, que no início da madrugada desta terça mantinha 28 homens no complexo, reforçará o contingente: ao menos 100 soldados irão trabalhar dentro do cemitério e também no perímetro do cemitério. A Guarda Civil destacou 40 pessoas para as primeiras horas da manhã.
Uma área próxima ao jazigo onde a estudante será sepultada será destinada à família e aos amigos de Eloá. O público poderá acompanhar o enterro, mas à distância.
“Estimamos que 10 mil pessoas irão acompanhar o enterro. Por isso, trabalharemos com todo o efetivo do cemitério, de 48 funcionários”, afirmou o administrador Altimar. Pelo menos 25 funcionários do Cemitério Jardim Santo André passaram a madrugada desta terça no próprio complexo.
Transferência
Alves foi transferido na segunda-feira (20) para a Penitenciária II de Tremembé, a 147 km de São Paulo, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).
A advogada Ana Lúcia Assad, que afirma ter sido contratada por um amigo da família dele contou que o jovem alega não ter premeditado os tiros em duas adolescentes que manteve refém em um apartamento de Santo André, no ABC. “Ele não entrou no mérito, mas disse que os disparos aconteceram depois da explosão [feiat pela PM]. Ele disse que não premeditou nada”, afirmou.
Ana Lúcia esteve na manhã da segunda no CDP de Pinheiros. Ela afirmou que irá oficializar sua contratação como representante do jovem por meio de uma procuração que deve ser anexada ao inquérito policial em andamento no 6º Distrito Policial de Santo André.
Ainda segundo a advogada, ele negou que tenha feito um disparo antes da explosão que antecedeu a invasão do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). A Polícia Militar garante que houve um tiro antes da entrada dos policiais no local.
Durante a conversa de cerca de 30 minutos que teve com Alves, ela disse que “ora ele parecia anestesiado, ora chorava muito”. Em entrevista à TV Globo, a advogada diz que ele se demonstra arrependido. “Demonstra [estar] muito abalado, arrependido, preocupado com a Eloá, porque a gente não deu a informação de que ela faleceu”, afirmou a advogada Ana Lúcia Assad.