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Depoimentos-chave do caso Eliza Samudio têm divergências

Os depoimentos de duas testemunhas-chave do caso Eliza Samudio, o menor apreendido na casa do goleiro Bruno e Sérgio Rosa Sales, primo do atleta, apresentam divergências e pontos que não batem. (Ao lado, veja reportagem do “Jornal Nacional” desta sexta-feira, 9, com trechos dos depoimentos.)
As incongruências se concentram principalmente em relação às ações de Bruno e de Sales nos dias que antecederam o suposto assassinato de Eliza Samudio. As declarações das duas testemunhas, que confirmaram a morte da ex-amante do jogador, são consideradas muito importantes na opinião de policiais.
Em depoimento à Polícia Civil do Rio, na terça-feira (6), o adolescente de 17 anos disse ter sido convidado por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, a levar Eliza do Rio de Janeiro ao sítio do jogador na Grande BH. Afirma que Bruno chegou ao sítio dois dias depois e ficou “surpreso” ao ver Eliza e o filho no local. Diz ainda que o goleiro permaneceu no sítio por apenas duas horas. (Veja reportagem do “Jornal Nacional” de quarta, 7, com detalhes do depoimento.)
Sérgio Sales, em depoimento à Polícia Civil de Minas Gerais, obtido com exclusividade pela revista Época, diz ter sido convidado por Bruno para ir ao sítio em 8 de junho. Diz que houve churrascos e partidas de futebol no local, e que o goleiro, Macarrão e o menor já estavam por lá quando chegou.
Também envolve diretamente o atleta no crime. Diz que o questionou se não era melhor “ter resolvido isso na Justiça” e Bruno respondeu “Já tá feito, cara”. “Eu falei para o Bruno que isso certamente ia dar problemas para ele e ele me respondeu que estava preparado”, diz Sales em outro trecho do depoimento.
Participação no crime
Enquanto Sales procura se eximir de culpa, o menor o incrimina ao dizer que ele era o “único responsável” por vigiar Eliza no sítio. Sales não diz que vigiava a mulher em nenhum momento – afirma tê-la visto por acaso ao entrar na casa e que só depois soube quem era.
O adolescente também afirma que Sales ameaçou Eliza de morte antes de obrigá-la a telefonar a uma amiga para dizer que estava bem. Diz ainda que ele, Sales e Macarrão a levaram até Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como “Neném”, “Paulista” ou “Bola”, preso sob suspeita de ter cometido o homicídio.
Confira as principais divergências entre os depoimentos do adolescente apreendido na casa de Bruno e do primo do goleiro Sérgio Rosa Sales:

Assunto Versão do menor de idade apreendido na casa do goleiro Bruno Versão de Sérgio Sales, primo de Bruno
Chegada ao sítio de Bruno Não precisa o dia. Cita presença de Macarrão, de Eliza, do filho e de uma empregada. Sérgio chega no dia seguinte, e Bruno, no outro dia. Diz ter chegado ao local em 8 de junho, convidado por Bruno. Descreve churrascos e várias pessoas no local, inclusive Bruno, Macarrão, Eliza, o filho e o adolescente.
Presença de Bruno no sítio Diz que o goleiro permaneceu por duas horas no local e foi embora. Afirma que Bruno permaneceu no local por vários dias.
Participação de Sérgio Sales Diz que ele era o “único responsável” por vigiar Eliza. Descreve ameaças dele à mulher e diz que ele estava presente quando “Neném” mata Eliza por estrangulamento. Diz ter encontrado Eliza por acaso na casa do sítio, e que nem sabia quem era.
Participação de Bruno Diz que o goleiro se surpreende ao encontrar Eliza no sítio e diz para Macarrão e Sales “resolverem o problema” pois “não saberia de nada”. Diz ter tido conhecimento da morte de Eliza por meio do adolescente e de Bruno. Afirma ter ouvido do goleiro a frase “Já tá feito, cara”.

O delegado Edson Moreira, que responde pelas investigações do caso na Polícia Civil mineira, já sugeriu que o adolescente possa estar buscando proteger Bruno. Moreira afirmou que “80%” do depoimento do menor é verdade.
O adolescente descreve Neném como um homem “negro, alto, magro e de cabelo curto”. Diz que ele amarrou os braços de Eliza com uma corda e a sufocou com uma “gravata”. Diz que ele, Sales e Macarrão viram quando Neném retira uma mão de Eliza de um saco e joga para cachorros.
Sales conta uma versão semelhante, mas não se inclui nos fatos – diz ter ouvido o relato de Bruno e do adolescente. Acrescenta novos elementos ao descrever o assassino como “homem negro, de barba e careca”, dizer que Macarrão chutou o corpo de Eliza após o enforcamento e que o filho da mulher também seria assassinado.
Investigação
Eliza Samudio está desaparecida desde o início de junho. Em 2009, teve um relacionamento com Bruno. Engravidou e afirmou que o pai de seu filho é o atleta. O bebê nasceu em fevereiro de 2010. Desde então, Eliza buscava reconhecimento de paternidade na Justiça. A Polícia Civil de Minas afirma que a “paternidade indesejada” foi a causa da morte.
A polícia mineira apura o sumiço de Eliza desde 24 de junho, após denúncias de que uma mulher teria sido agredida e morta nas imediações do sítio de Bruno, em Esmeraldas (MG).
Na quarta-feira (7), a Justiça decretou a prisão de sete suspeitos de envolvimento no desaparecimento de Eliza em Minas Gerais, além da internação provisória do menor. Bruno e seu primo Sales estavam nessa lista.
No mesmo dia, a Justiça do Rio decretou a prisão de Bruno e de Macarrão. A polícia fluminense diz que os dois são suspeitos de participação no sequestro de Eliza.
Os três estão presos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Bruno, Macarrão, Sales e Marcos Aparecido dos Santos, o Neném, negam participação no crime.

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